Eu te amo, mas que tal cada um morar na sua casa? – MeApaixonei.com.br

Eu te amo, mas que tal cada um morar na sua casa?

1897
0
Compartilhe:
Compartilhe esse post:

Depois de alguns anos morando sozinho, eu não me imagino mais morando com alguém.

Na verdade, eu me imagino participando de uma pré-seleção para ser astronauta em alguma daquelas cidadezinhas interioranas dos Estados Unidos, mas não consigo imaginar alguém na minha casa me questionando o porquê do meu tênis ainda estar no meio da sala.

Acontece que cada vez mais que a idade passa, as manias entram em plena ascensão, as invasões me soam piores e o pavor, enorme, de alguém deixar a pia do banheiro suja com pasta de dente, me faz entrar em parafuso.

Morar junto com alguém é algo que me intimida. Pelo simples fato de que, sou tão feliz, mas tão feliz sozinho, que me assusta a possibilidade de alguém invadir o meu espaço de tal maneira.

Sempre que a relação, neste caso amorosa, chega a esse patamar, entro em crise: e se eu não curtir, posso mandar ela embora em duas semanas? Será que ela ficaria chateada?

VEJA TAMBÉM: VOCÊ TROUXE DE VOLTA O QUE EU ACHEI QUE TIVESSE PERDIDO.

E se ela começar a congelar as comidas em potes de sorvete? E se ela começar a me questionar por que faço a barba dentro do chuveiro? E se eu chegar em casa e ela estiver de pijama no meio da sala tomando sopa de legumes?

Por Deus, se existe alguma coisa que tenho uma enorme aversão, é por pessoas que tomam sopa. A não ser que estejam doentes, claro.

Pois, quase sempre chego em casa alegre, pulando, com vontade de beber uma cerveja, rir, sair, comer algo gostoso num restaurante, pular de asa-delta numa terça-feira no fim de tarde, fazer sexo apoiado no parapeito do prédio… E ela ali, tomando sopa, vendo a novela, com aquele pijaminha comprido de desenho às oito da noite.

Definitivamente, isso não é para mim, sou muito vibrante para dividir o leito com alguém que toma sopa.

Envie seu texto!

Por sorte do destino, já namorei bastante e sempre achei muito mais gostoso cada um ter o seu cantinho. Pela liberdade, pela falta de rotina, pela sensação gostosinha de “vem cá? quero te ver” – “dorme aqui comigo…” – “passa o fim de semana aqui…” – “eu faço um café da manhã pra gente”. Eu sei, um dia a relação terá que avançar e criar raízes, mas até lá… fica aqui comigo no fim de semana?

Com tempo, a gente percebe que para viver esse amor que idealizamos, precisamos entender que se relacionar é viver uma eterna renúncia. Ceder um pouco aqui, ceder um pouco ali, ceder quando quer, ceder quando não quer. Mas, por outro lado, a gente também aprende que para realizar os nossos sonhos precisamos de solidão.

Precisamos de uma energia que nos consome integralmente em busca de um único objetivo: a realização do nosso sonho. Essa alegação que é possível a realização dos sonhos pessoais a dois, para mim, é irreal. Alguém terá que ceder, alguém terá que encaixotar o seu sonho em prol do sonho do outro.

E, por agora, não serei eu que o farei. E acho injusto que você também o faça; não posso apagar o brilho do teu sonho. Parece egoísta, parece mesquinho, e pode até ser que seja. Mas quem disse que para realizar os nossos sonhos a gente não tem que viver fases egoístas?

Para viver um amor daqueles que a gente sonha, que envolvem filhos, cachorros, uma decoração com moveis de jatobá que compramos em uma lojinha junto à praia e uma sogra que passa o fim de semana na sua casa questionando os seus hobbies, é preciso ter disposição. Não é uma decisão de final de semana.

VEJA TAMBÉM: NÃO ME DIGA QUE ESTÁ COM SAUDADE, DIGA QUE ESTÁ VINDO ME BUSCAR

Não é algo que a gente faz por obrigação ou pressão. É algo que pede, em conjunto, consentimento do coração e da razão. Coisa que nessa altura do campeonato eu não tenho. Não por agora. Estou numa fase de descoberta, de viajar, de ganhar dinheiro, de construir a minha carreira, de transar no aeroporto; na escada; na rua; na chuva; na fazenda; numa casinha de sapê. Essas coisas.

Claro que eu não almejo ficar sozinho até o fim, até porque seria um desperdício! Seria triste pensar que porventura alguém neste mundo estaria perdendo o melhor brigadeiro de panela do universo.

Mas, um dia, sem pestanejar, espero mudar de ideia, e de disposição, por alguém que invada a minha casa de uma maneira que eu não consiga mais pensar diferente. Desde que, obviamente, ela não deixe a pia do banheiro suja de pasta de dente e, por favor, não tome sopa de legumes.

eoh.com.br

VEJA TAMBÉM:

Um dia você vai encontrar alguém que te ame do jeito que você é

Compartilhe esse post:
Hospedagem de Sites e Blogs

Deixe seu comentário: