Uma experiência memorável no banco de trás de um carro | Me Apaixonei

Uma experiência memorável no banco de trás de um carro

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A viagem ainda nem tinha começado e eu já estava pensando como me ajeitar de alguma forma confortável no banco de trás, para deixar a viajem um pouco menos cansativa.

Aquelas viagens sempre eram desconfortáveis, mas mesmo assim gostava da sensação, o fato de ir sentada (quase deitada) no banco de trás do carro, deixava uma veracidade paralela, me desligava da realidade, ali ao olhar para fora e observar pessoas, paisagens e mundos diferentes.

Fui pensando nas coisas que a vida já me ofereceu, e claro nas coisas que o universo ainda pode me oferecer. Faço uma lista mental de coisas que tenho que fazer quando chegar em casa e durante a semana. Sou daquelas pessoas que adora uma lista.

Mas o que me chamou mesmo a atenção nessa viagem não foi somente os pensamentos que já eram hábitos e sim o sentimento que insistia em me acompanhar.

Olhei para o lado e vi o resto do banco do carro vazio, descrevi minha vida amorosa naquela imagem instantânea.
Pensei na minha relação amorosa como um todo e a saudade daquelas borboletas no estômago me tomaram conta. Fechei os olhos e tentei imaginar um possível amor.

Olha que engraçado… esse amor tinha olhos verdes ou azuis, nunca soube bem. Tinha uma mistura de sotaque de dois países e o sorriso mais engraçado que já tinha visto. Usava um boné, um Nike Air, bermudas até o joelho e uma camiseta branca, mesmo descrevendo a cor dos seus olhos, carregava no rosto óculos escuros. Era um “amor” imaginário, platônico, nunca existiu. Mas sonhava todos os dias com o encontro desse sujeito do futuro do pretérito composto.

Houve algum dia a aproximação desses corpos, por momentos esteve tão perto e ao mesmo tempo tão distante. Encostei minha cabeça numa blusa que levava comigo para fazer de travesseiro, coloquei o fone de ouvido e apertei o play da musica que ilustrava “aquela” relação que não existia de fato ao vivo e a cores, mas na minha imaginação ela era mais viva que qualquer coisa.

A música rolava normalmente pelos fones de ouvidos e minha cabeça rolava desassossegada fazendo cenas de um pseudo encontro que poderia acontecer.

Relembrava as conversas que um dia ouve, cada palavra que ouvi (li), cada palavra que falei (escrevi). Sempre senti algo “especial” por esse Pretérito. Que angustia sinto ao pensar que tive ele tão perto e me escapou pelos dedos como a areia fina da praia. A vontade era reciproca e ambos tinham as mesmas ideias de querer um ao outro. Mas a pergunta fica no ar: “Porque nunca? A porta estava aberta.”

A viagem só esta pela metade e a música já se repetiu algumas vezes, o refrão sai pela minha boca em um tom um pouco mais alto “I am from X, You are from y… Firestone”. Lamentava a falta dessa aventura, faltava essa adrenalina na minha vida.

Por vezes pensei em esquecer e apagar essa história que criava dia após dia na minha imaginação, não tinha a esperança de um dia poder tornar ela real, o destino fazia questão de separar nossos corpos, com desculpas falsas, horas erradas, lugares diferentes e pensamentos distantes. Só na imaginação me contentava, até porque na história que eu criava não havia decepções, despedidas, distâncias ou seja lá o que for que nos separava. Existia olho no olho, pele com pele, boca com boca, nossa musica tocando e nossos corpos grudados “Our hearts are like firestones”.

Você existe, em algum lugar você se encontra, as vezes sei onde, as vezes não sei. Mas o que torna minha imaginação afiada é que você é real. Se nossa história pode se tornar também um fato, só o tempo dirá.

A viagem acaba, com ela acaba a experiência de ter a sua companhia nem que seja em memórias, sonhos ou descrições mera ilustrativas.

Pego minhas coisas e parada na calçada vejo minha carona se afastar e pelo vidro traseiro do carro, vejo sua imagem me acenando com a mão interpretando com um “tchau”. Você parte, a minha realidade aparece e um sorriso no canto da minha boca surge, e o pensamento vem a tona: “que experiência memorável tive com você no banco de trás do carro, sempre é bom te encontrar.”

Carla Martins

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