10 DIAS COM UMA GEMINILOUCA | Me Apaixonei

10 DIAS COM UMA GEMINILOUCA

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Eu tentei fragmentar meu relato, como um diário, construído no nosso dia a dia juntos, mas a intensidade da rotina me fez abandonar meu projeto romântico. Tinha intenção de fazer um querido diário, um blog, um álbum de fotos, alguma coisa que demonstrasse o quanto, no mais cotidiano detalhe, a tua presença é motivo de alegria e entusiasmo na minha vida. Não tens ideia do quão feliz é saber que ao fim do dia, independe das complicações que tenha encontrado pelo caminho, existe um sorriso, e um abraço repleto de saudades te aguardando em casa. Eu contei os segundos por esse momento ao longo dos nossos dez dias. E agora que já não te tenho me esperando no fim do dia, me sinto incompleto. Acredito que tenha algum ditado dizendo que é melhor nunca ter, do que ter e perder tão rápido. Se não houver um registro popular disso, me sinto orgulhoso em ser o autor.

Brincadeira a parte, esses dez dias foram a definição da bagunça sentimental. Por vezes eu só queria te desligar, me comunicar por mensagens de texto, ou uma chamada com duração de uma hora. Queria poder te visualizar e responder mais tarde. Responder um emoji ou um like, até conseguir formular um discurso mais elaborado. Eu nunca imaginei que era tão exaustivo te ter full time, mas te confesso que sinto uma falta impreenchível de te ouvir tagarelar até dormir. Ouvir as novidades, altos e baixos do teu dia, com a visão privilegiada das tuas dramáticas expressões com grande entusiasmo de dividir comigo, cada pedacinho de segundo que estivesses longe de mim. O contrato assinado, os vestidos novos no atelier, a preguiça de enviar e-mails para a empresa A ou B, um novo anunciante, um anunciante que não assinou o contrato, o editorial, as fotos que não gostasses mas te falta coragem de reclamar com a edição, as imperceptíveis gramas a mais que me sublinhasses no comprovante da farmácia, a lista de alergias, as diferenças entre a sobrancelha de rena e a micropigmentada. Eu aprendi muito contigo durante esses dez dias.

Me tornei mais paciente, e mais vulnerável também. Descobri que rir nunca é demais, mesmo durante uma discussão. Conheci tantas musicas lindas, que me farão te rever em minha mente já nos primeiros acordes, seja onde for. Eu conheci mais a mim mesmo, descobri uma versão que se encaixa perfeitamente no mundo onde tu existe todos os dias. Existe fisicamente, com teus livros de madrugada, banhos que aceleram o aquecimento global em larga escala e a mania de debochar de mim, até me importunar profundamente ou me fazer desistir e me render a graça das piadas a meu respeito.

Eu não estou sabendo lidar com a ausência de bagunça nessa casa. Não existem roupas infinitas no armário obstruindo a visão das minhas próprias roupas, nem tão pouco uma coleção interminável na maquiagens na pia do banheiro. Não tem cheiro de shampoo de pêssego no travesseiro, nem calcinhas na corda da área de serviço. Eu sinto saudade de cada detalhe que evidenciava a tua presença. Estavas por toda parte, e agora só tem saudade.

Vez ou outra encontro algo teu por aqui. Uma caneta no canto da cama, um batom que rolou para baixo do criado mudo, um desenho travesso na minha conta de luz ou, com muita sorte, uma camiseta que estava na pilha de roupas lavadas, e esquecesses de levar contigo. Eu encontro esses pedacinhos de ti, e a saudade aperta ainda mais, porque são coisas que não pertencem a essa casa. São coisas que pertencem a ti, e infelizmente, tu só viesses de passagem. Eu não te julgo por não ficar mais, ficar enquanto estivesse sendo feliz. O que eu tenho a oferecer? Vários dias ruins, nenhuma estabilidade emocional, nenhum tempo para sair para jantar, e as nostálgicas frases, filmes e músicas “do meu tempo”. É uma bagagem muito grande para uma guria tão leve e cheia de sonhos como tu.

Bem sei que também sentisses aquela tal plenitude, pelo menos algumas vezes, enquanto estavas aqui. Não é prepotência dizer que sei que me correspondes. O que impede é esse abismo entre as nossas idades, e mentalidades, experiências, prioridades e objetivos. Mas, relembre dos teus livros, e me conte um romance que tenha transcorrido facilmente, que não tenha sido absurdamente tedioso para o leitor e os personagens. Eu tenho certeza que nessa tua bagunçada mutabilidade,esta a minha paz pelo resto dos dias. Pode ser que tenhamos que esperar um pouco mais, ou talvez rodar pelo mundo inteiro durante anos, mas estou certo de que te terei na mesma cama que eu, todas as manhãs. Sonolenta e preguiçosa. Levei três décadas de existência para descobrir que não existe alegria melhor do que começar o dia ao lado de quem se ama. Não sei se demorei muito, ou se simplesmente andei amando e acordando com as pessoas erradas.

Tenho uma sensação confiante que me assegura uma vida repleta de amanheceres ao teu lado. Mal posso esperar para te ter de volta, assim, em tempo integral. Te fazer dançar e rir com Jazz brasileiro no meio da sala, esquecer o estresse do dia no teu cafuné ou diante da tua postura de master chef, com um avental comprido de mais para quem tem menos de 1,60 m enquanto cozinha na torradeira do pão. Eu quero a tua gargalhada por aqui, o mais rápido possível. E carinha brava quando preciso te lembrar que é impossível que estejas sempre certa. Eu quero cada pedacinho teu de volta, na minha casa, e na minha vida. Quero tua geminiloucura, tornando os meus dias o furacão emocional pelo resto da minha vida. Fazer de tudo uma partilha. Nossa casa, nossa vida, nossos altos e baixos. Eu aguardo ansioso pelo dia em serás minha, na mesma intensidade, que aqui dentro, já sou completamente teu.

Teus olhos são um eterno pedido de

“Deixa eu bagunçar você?”

Eu, fraco que sou 

Autorizo antes mesmo do fim da frase. 

Deborah Anttuart

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