Se apaixonar é uma escolha | Me Apaixonei

Se apaixonar é uma escolha

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Os graus da paixão são:

1. Só quer pegar, ou, “Vou te pegar, essa é a galera do avião”;

2. Está gostando mas resiste, ou, “Tenho um coração, dividido entre a esperança e a razão. Tenho um coração, bem melhor que não tivera”;

3. Está apaixonado, ou, “Eu sou o seu apaixonado de alma transparente, um louco alucinado, meio inconsequente, um caso complicado de se entender”;

4. É o amor, ou, “É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim, que faz eu pensar em você e esquecer de mim, que faz eu esquecer que a vida é feita pra viveeeer”;

 

Agora voltemos ao questionamento inicial. Eu, por exemplo, quando ainda estou no estágio 1, sou perfeitamente capaz de prever com 0% de margem de erro que em pouco tempo chegarei ao nível 4. Então, eu conseguiria controlar? Alguém que está no nível 1, e prevê que vai chegar ao 4 com aquela pessoa, esse alguém consegue se controlar e não se apaixonar? Tem gente que sim, tem gente que não, e tem gente como eu, que não tenta controlar nada.

A equação não é difícil. Você está no estágio 1. Por enquanto, só quer ficar mesmo. Dá aquela olhada discreta na bunda quando ela vai ao banheiro, tenta descobrir se ele não é nenhum canalha que some no dia seguinte, até aí, é só um one night stand mesmo. Mas aí você chega lá e a pessoa te surpreende. Ela é incrível, absolutamente apaixonante, inteligente, interessante, engraçada e preenche 27 dos 32 da lista de itens de coisas que você procura em uma mulher, que você teria se não fosse ridículo fazer uma lista de itens que você procura em uma mulher. Mas é uma pessoa com uma vida complicada, em um momento complicado, ou seja, as suas chances de vê-la se apaixonar por você são mais ou menos as mesmas chances que você tem de nocautear o Anderson Silva em uma luta. Você com as mãos amarradas. E bêbado. E talvez vendado. Essas são as chances. Você tenta não passar pro próximo estágio na escolha ELLANE? Ou se joga?

Na verdade, a pergunta é: tem como segurar o que se sente? Ou só se afastando? Imagino que seja bem difícil escolher não se apaixonar sem se afastar da pessoa. É mais fácil tentar não se apaixonar quando é você quem tem algo impeditivo: algum trauma recente, uma viagem para longe, uma doença venérea recente, uma ex-namorada sociopata recente. Porque, nesse caso, é só resistir em se encantar com a outra pessoa. Finge que ela não é linda, para de pensar na voz gostosa que ela tem, e tira da poupança o dinheiro que você começou a juntar pra lua de mel de vocês nas Ilhas Gregas. É mais fácil. Mas quando é a outra pessoa que tem algo impeditivo, aí complica. Porque, em primeiro lugar, o ser humano é o único animal que acha que vai ganhar na loteria, com chances de uma para três milhões. E a gente sempre acha que vai conseguir furar o bloqueio alheio. Ledo engano.

Mas o que vale mais a pena, se segurar e não se apaixonar, e abrir mão daquela uma chance em três milhões que poderia vir a acontecer, ou mergulhar de cabeça e depois, se não der certo, sofrer, como de praxe, mas com a consciência de ter feito tudo ao seu alcance para que tudo desse certo? Já parou pra pensar quantos casais não teriam se formado, quantos filhos teriam deixado de nascer, se algumas pessoas tivessem escolhido não se apaixonar? Ou o quanto você mesmo teria perdido se você ou alguém do seu passado ou presente tivesse feito essa escolha? Ou tivesse parado antes de chegar ao estágio 2? Se apaixonar nunca é uma escolha, mas o que fazer quando isso acontece, isso sim é uma escolha. Que devemos sempre fazer com cautela, mas que sempre fazemos da maneira mais estúpida e impulsiva possível. No fim, dá certo, e se não der, um dia você vai rir muito disso tudo.

Leonardo Luz

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