Matei alguns sentimentos, mas foi legítima defesa | Me Apaixonei

Matei alguns sentimentos, mas foi legítima defesa

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Fonte da Imagem: WeHeartIt

 

“Você mudou muito. Não é mais aquela pessoa quem conheci. Você está diferente, não sente mais nada por mim?”

É, acordei recebendo esta mensagem. Era mensagem dele. Quem é ele? Alguém que teve um grande significado na minha vida. Senti por ele os sentimentos mais verdadeiros e sinceros que se podem ter por alguém. Agora recebo uma mensagem, na qual ele me acusa de mudar. Pois bem! Eu não mudei. Apenas descobri que meu coração é completo para aceitar sentimentos pela metade.

Sentia tanta coisa quando aquele olhar cruzava com o meu. Quando recebia uma mensagem dele, quando recebia uma ligação, quando ele aparecia do nada em casa só para me fazer uma surpresa. “Sentia”, estranho dizer isso sendo que há pouco, nem tão pouco tempo assim, tudo que sentia por ele era o que mais me asfixiava. Era tudo lindo, mas me prendia. Vivia em função desse amor, dessa vontade de estar sempre perto dele e da vontade infinita de morar naquele abraço e nunca mais sair. Esses sentimentos começaram a ser transformados em peso, em carga e em dificuldade.

No começo, tudo era lindo e maravilhoso. Sabe aqueles casais que todos dizem que nasceram um para o outro? Então, éramos nós dois. Nos completávamos de alguma forma. Eu aceitava ele da forma que ele era. Aceitava as escolhas profissionais e pessoais da vida dele. Ele também. Ele estava sempre comigo para o que eu precisasse. E quando nos conhecemos, eu estava precisando mesmo de alguém. A barra estava pesada e ele segurou do outro lado. E os problemas viraram pluma. Ele era aquela coisa boa em meio a tanta turbulência. Era ele o cara da minha vida? Parecia. E como parecia…

Mas eu estava me enganando. Ele não era o cara da minha vida. E ele me provou da pior forma. Foi ficando indiferente, estranho, esquisito, um completo desconhecido. Mensagens chegavam de vez em quando. Ligação não existia mais. Visitas? Nem pensar. Estávamos nos afastando e não era de comum acordo. Ele fez o acordo sozinho. Pensava em alguma forma de consertar esse remendo, mas nada adiantava. Tinha que admitir para mim mesma que ele não me queria mais. Fui atrás dele e para minha surpresa, ele já tinha me substituído.

Passei meses sofrendo, passando noites em claro e me culpando. Tentando encontrar em que momento tinha errado. Até que um dia, acordei, olhei para mim através do espelho e pensei: “Opa, pera. Vou ficar aqui, deixando esses sentimentos me matarem e não vou fazer nada?”. Claro que não ia matar ele, mas podia matar aquilo que ainda estava dentro do meu coração. Tinha que me defender. Me reergui quando percebi que estava deixando de me amar e de viver, para amar e viver por alguém que estava sobrevivendo muito bem sem mim. Levantei da cama, me arrumei, saí e vi o quanto o mundo lá fora era melhor e muito mais bonito, que ficar vivendo dentro de casa, sofrendo. Nossa, como me fez bem. Voltei a estudar, a trabalhar, a sair e o principal, a viver por mim. Nada me matava mais. Eu estava vivendo o amor mais lindo, o amor-próprio. E ah! Como foi bom recomeçar. E sem lembrar dele. Ele saiu da minha vida para que eu finalmente seguisse em frente. Ninguém precisa de alguém que nos atrasa. Afinal, o que não nos evolui, não vale a pena.

Nesse dia que recebi a mensagem dele, depois de meses, me deu um grande alívio. Aquela mensagem foi a prova que eu tinha me libertado de tudo que sentia por ele. O coração já não pulava mais e o sorriso involuntário nem apareceu. Depois de tanto tempo, ele me envia uma mensagem dizendo que eu estou diferente? Que eu mudei? Logo eu que só fui começar a viver por mim. E somente agora, ele resolveu me notar. Mas agora nem tem mais espaço aqui para ele. Um dia, ele me descartou da vida dele, eis que agora perdeu o lugar. É aquele ditado: quem muito se ausenta, deixa de fazer falta. A vida tomou cor quando me libertei de um sentimento preto e branco.

Cometi um crime grave para alguém que pensa que meu coração é bumerangue e pode voltar quando bem entender. Matei tudo que sentia por ele! E fui presa, mas dessa vez não pelo amor que sentia, presa pela vontade de ser feliz. Peguei o celular e com muito orgulho da pessoa quem eu me tornei, respondi. E no conteúdo da mensagem dizia: “Cometi um crime por sua culpa. Matei alguns sentimentos, mas foi legítima defesa!”. 

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