Carta para quem não vai ler | Me Apaixonei

Carta para quem não vai ler

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Hoje acordei pensando em você, até estranhei essa sua presença repentina na minha cabeça, é que faz tempo que você não me invade assim. O frio entrava pela janela do meu quarto e o tempo nublado convidava para ficar o dia inteiro na cama, do jeito que a gente sempre gostou de fazer acompanhados de filmes e pipoca, mas a única companhia que eu tive de baixo do edredom era a saudade.

Eu sinto falta dos dias que vivemos juntos, da época em que você realmente se importava com a nossa felicidade e lutava para que nossas bocas se encontrassem logo. Sinto saudade de quando a sua maior preocupação era passar os feriados ao meu lado ou quando se preocupava com meu cansaço e insistia em me convencer a trocar a folga do trabalho para o final de semana, só para a gente cair na estrada em direção a um lugar qualquer.

De quando você tentava me explicar o tanto que me amava num textão enviado às três da madrugada, porque a insônia tava gigante e falar o você sentia costumava te acalmar. De acordar e ver que você havia mandado uma mensagem de “bom dia, meu amor” e você mal sabia do tanto que ela fazia diferença no resto do meu dia. Daquela época que fazia questão de ser presente na minha vida ou quando me surpreendia batendo na porta da minha casa só porque a saudade não parava de gritar meu nome. Será que você sente falta disso também? Será que você sente falta de acordar e me ver deitada no seu peito, com o meu cabelo fazendo cócegas? Porque eu sinto falta de dormir e acordar sorrindo.

Não sei se você se lembra de pelo menos algum desses nossos momentos, se ainda bate aquela falta porque no fundo tudo era tão bom quando estávamos juntos, mas é incrível como as coisas mudam, né? Num dia tudo está bem e no outro a gente vai dormir como se o mundo estivesse desabando aos poucos. Cada órgão do corpo parece doer um pouco, parece até que eles sabem que você não vai estar aqui.

Eu levei uma porrada da vida quando percebi que você não veio para ficar, doeu forte no peito e às vezes eu sentia que mal podia respirar. Nos primeiros dias parecia insuportável aguentar sua ausência, a sensação que eu tinha é de que nunca ia passar e que latejaria para sempre. Eu demorei para conseguir entender que uma hora ou outra a ferida que você causou em mim cicatrizaria. Precisava cicatrizar. Custei a aceitar que a sua ausência é melhor do que as migalhas que você tinha a oferecer. Eu precisava parar de aceitar o pouco que você tinha para me dar. Eu precisei te deixar para trás, antes que caísse junto com você.

Mari Guimarães

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