Eu já não te conheço mais | Me Apaixonei

Eu já não te conheço mais

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Ontem eu achei uma foto nossa, que eu usava como marca página de um livro que estava lendo há alguns meses atrás. É aquela nossa foto brincando de luta de espada, sabe?! Começo a rir sem perceber, lembrando-me de todas as danças engraçadas que inventamos naquela noite.

Acabo mergulhando num mar de lembranças, fecho os olhos e começo a me lembrar de todos os momentos que vivemos, de todas as brincadeiras, todas as palhaçadas, e algo fez meu coração apertar, simplesmente porque percebo que não chego a sentir tanta falta de tudo isso que vivemos, mas sinto muito mais falta da pessoa que você era. Eu já não te conheço mais.

Não sei mais quem você é, nem o que almeja para a sua vida. Já não sei qual o tipo de brincadeira que te faz rir. Não sei qual tipo de lugar você gosta de frequentar, ou com qual tipo de pessoa você gosta de se envolver. Já não sei mais o que você vai querer fazer depois da aula, ou fazer da vida. Não sei se você ainda beija a cabeça da sua mãe toda vez que chega em casa, ou se chega na sua casa no horário que sua mãe já está dormindo. Já não sei quais são seus planos, suas vontades. Eu já não te conheço mais.

Sinto falta de quando te olhava e via um brilho no seu olhar, daqueles que só se vê nos olhos de um menino com o coração bom, sabe?! Sinto falta de quando eles se enchiam d’água de tanto que você ria. Eu não me lembro da última vez que te vi sorrir, não me lembro da última vez que vi um sorriso sincero saindo de você. Eu já não te conheço mais.

Seu cachorro continua doente? Você ainda não achou seu tênis?! Pede ajuda para o São Longuinho, dá uns pulinhos e logo menos você o acha. Sabe, sinto falta de quando você era tão desapegado, que perdia suas coisas e achava nos lugares mais inusitados. Hoje, eu acho que você tem se preocupado tanto com os bens materiais que tem, que deve ter achado uma forma bastante eficaz para não perder o controle de nenhum deles. Eu já não te conheço mais.

A verdade é que me dói ver uma pessoa se deixando afundar numa versão tão minimizada dela mesma, por escolha própria. Posso te dar um conselho? Você promete não ficar ofendido?

Tenta se achar novamente. Tenta voltar a ter aquele abraço acolhedor, aquele jeito encantador. Tenta voltar a ser aquele homem com coração de menino, sabe?! Com brilho nos olhos, sorriso no rosto e chinelo no pé.

Você se tornou só mais um no meio da multidão, sendo que houve um tempo em que você era aquela pessoa que chegava aos lugares e iluminava a tudo e todos que ali estavam. Não, você já não é o mesmo. Não, eu já não te reconheço, mas nunca é tarde para resgatar o melhor de si mesmo. Você é muito melhor do que imagina, muito melhor do que tem sido, e sabe disso.

Eu torço para que um dia você se encontre, e seja o melhor que você pode ser, mas hoje, eu prefiro fechar meu livro, com a foto guardada dentro dele, e com ela deixo guardado tudo que vivemos, tudo aquilo que sinto falta em você, porque por mais que eu torça para que um dia você volte a ser quem era, você já não é mais essa pessoa, e não posso me enganar, achando que as coisas vão ser diferentes, justamente porque você está diferente, já não é mais o mesmo.

A verdade é que eu simplesmente já não te conheço mais.

Diandra Ferracini

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