"Doente de amor, fui procurar remédio na vida noturna..." | Me Apaixonei

“Doente de amor, fui procurar remédio na vida noturna…”

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Cansada da irracional monogamia unilateral, fiz da madrugada de sexta uma ferramenta de busca e apreensão. Esquece os dois idiomas, a graduação e o gosto musical. O critério foi o mais superficial possível: Eu estava para barba como ele estava para qualquer mulher que coubesse no banco de trás do seu carro popular. Esquece a compatibilidade, a conversa rica em conteúdo e afeto. Era tesão de cerveja mesmo, de carência e de falta de opção.

Eu achei que ainda sabia fazer isso. Flertar, usar minhas boas piadas e, de fato, me interessar pelo o que ele faz da vida. Mas a verdade é que de um tempo pra cá esse personagem desinibido e encantador, já não me serve mais. Não passa nem nas pernas. Seja esse o qualquer outro papel que oculte minha versão original. No entanto, era minha tática de autodefesa: Atacar antes de ser atacada. Abandonar antes de ser abandonada. Ter um plano B antes que a solidão fosse inevitável.  Foi o de praxe: Uma boa dose de sorrisos e cruzadas de pernas. Um pouco de ingenuidade fingida, e pronto: Já estávamos de mãos dadas.

Aquelas implicâncias teatrais que a internet propaga como o ápice do casal tumblr, e ai ele já estava bem perto. Fingir estar chateada e então foi apenas um passo até o primeiro beijo da noite. Dois copos de cerveja e já estávamos no caixa pagando a comanda. Uma quadra e meia percorrida de pressa, apesar do salto alto, e então chegamos no carro.

O resto já é possível deduzir. Levou apenas mais dois beijos. Rua deserta, 4h da manhã. Aconteceu. E a verdade é que nem me esforcei para evitar e fazer a noite terminar de outra forma. Talvez se não tivesse bebido tanto. Se tivesse com outra roupa. Ou talvez tenha sido a musica mesmo. Simplesmente aconteceu: A saudade chegou e jogou na minha cara a total impossibilidade de fechar os olhos e não pensar que estava no lugar errado e com a pessoa errada.

Ele entendeu, não usou de chantagem e ainda me fez armazenar o numero do telefone dele. Disse pra chamar quando eu estivesse “disponível”, e me esperou entrar em casa antes de ligar o carro e ir embora. Deitei sem escovar os dentes e sem trocar de roupa. Apesar do alcoolismo, tinha uma parte da mente que não nublou nem quando misturei vodka e cerveja: A saudade. Talvez não de alguém propriamente, mas de uma sensação específica que já fora sentida. Algo parecido com plenitude ou paz.

Deborah Anttuart

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