Ponto Fraco | Me Apaixonei

Ponto Fraco

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Um instante e já esqueci meu próprio nome, o que ajuda muito alguém cujo a boca está ocupada temporariamente para defender teorias. De acordo com minhas amigas é só falta de vergonha na cara, o famígero fogo no rabo. Para um especialista seria reação química das mais singelas: paixão, pelo que me torno quando estou no estado de êxtase. Para mim, não passa de uma recaída, um vício corriqueiro sobre o qual tenho não apenas consciência, mas domínio absoluto. Um ponto fraco, ou ponto G. Amanhã o efeito passa, e dessa vez prometo ao mundo inteiro que não vai se repetir.

Repete. Basta um convite para me derreter, me tornar líquida e manipulável, abandonar a coerência, a fidelidade, o pudor. Incapaz de diferenciar a mais básica ortografia. Recaindo. Pela terceira ou quarta vez nesse mês, fisicamente. Pela vigésima vez essa semana, mentalmente. Um quarto de minuto e já esqueci até meu endereço.

A culpa é da aventura, ela sempre torna o cotidiano a consumação do tédio.
A culpa é da adrenalina, não minha. Faço minha parte, mantenho a mente ocupada, organizo estantes, conheço pessoas, amo pessoas, durmo e acordo em paz. No entanto, em dias como hoje a abstinência bate forte, bastando o relógio aproximar-se do horário marcado, para o corpo reagir. Reage por antecipação. Recai, antes mesmo de qualquer contato.

O problema está na inspiração em sua essência, o disparar do coração desprovido de motivos nobres. A liberdade. É liberdade em tempo integral. Pode ser por meia hora, 2 segundos, o tempo que durar um olhar ou uma fuga de fim de tarde. É liberdade do começo ao fim. Sem personagens, sem politicamente correto. Entre quatro paredes ou quatro portas. É melhor do que qualquer imaginação juvenil no auge da puberdade já conseguiu projetar. Tem seu quê de heroísmo inglório, cujo mérito supremo é a discrição, e tem seu quê de bom amigo, o qual nunca ofereceu conselhos utilizáveis, mas consegue tornar dias ruins em dias de sorriso fácil.

Para alguns seria a mera personificação de algo imposto pela indústria literária ou televisiva. Para minhas amigas, seguiria com a definição de total ausência de vergonha na cara. Para mim, ele é o meu bom e eficiente vício de gaveta, capaz de estimular a mais infértil das mentes e conturbar os dias monótonos.

O efeito dele consegue ser mais intenso
Do que um trago de cerveja barata em dia de pagamento

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